Skatícias #104

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Esse ano de 2014 está sendo de Nyjah Huston. Ele venceu todas as competições que participou. Tampa Pro, X Games e todos quatro eventos Street League. No último domingo ele se sagrou o campeão do “Super Crown World Championship”, em Newark. Leia o post “Nyjah Huston é o campeão do Super Crown World Championship 2014“.

Luan de Oliveira terminou o Super Crown World Championship da Street League em sétimo lugar (Divulgação)

Luan de Oliveira terminou o Super Crown World Championship da Street League em sétimo lugar (Divulgação)

Rony Gomes venceu a primeira etapa do Circuito Brasileiro de Skate Vertical Profissional no último domingo. A competição aconteceu em Fortaleza, Ceará, cidade que receberá na próxima semana (5, 6 e 7 de setembro) a etapa de Street Pro Brasileiro e na semana seguinte (11, 12, 13 e 14 de setembro), Street Pro do circuito da WCS. Curiosamente, os dois eventos acontecerão no mesmo lugar, a pista do Parque do Cocó.
O segundo lugar no Vert Pro ficou com Sandro Dias e Edgard Vovô terminou em terceiro.

Pódio do Vert Pro em Fortaleza, com Rony Gomes campeão (Divulgação)

Pódio do Vert Pro em Fortaleza, com Rony Gomes campeão (Divulgação)

Tim “Rawbiz” Williams, baixista da principal banda de skate rock de todos os tempos, Suicidal Tendencies, morreu na quarta-feira, dia 27. Ele tocava na banda há quatro anos.

Já estão abertas as inscrições da segunda edição do Skate Run, uma “corrida de skate”, realizada por ruas da cidade de São Paulo. Nesse ano, para participar é de graça. Veja as informações no www.skaterun.com.br
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O alemão Willow foi apresentado oficialmente na LRG da Europa com esse vídeo:

Tony Hawk agora faz parte do time da Sony.

Filipe Ortiz e Dwayne Fagundes agora fazem parte do time da ÖUS. Para apresentar a dupla, a marca produziu o vídeo “Chegando Junto”, um curta-metragem para abrir a mente dos alienados que acham que skatistas são estereótipos.

O skatista profissional nova iorquino Eli Reed teve a oportunidade de conhecer o filho de Hugh Hefer, o fundador da Playboy. Dessa amizade, surgiu a possibilidade de andar de skate dentro da lendária Mansão da Playboy. Reed aproveitou a oportunidade e produziu o curta-metragem “Lost Paradise”, uma sessão dos sonhos dentro da mansão com as Playmates.

Vídeo da semana: “Crusty by Nature”, a parte do Wes Kremer lançada pela Thrasher, choca pela originalidade e criatividade infinita de um dos skatistas mais talentosos da atualidade. Com esse vídeo, o japonês de Tokyo adquiriu automaticamente o visto para concorrer ao SOTY!

Entrevista com Edgard Vovô para ESPN Brasil

Essa entrevista foi originalmente produzida para ESPN Brasil.

Edgard Vovô (foto: ESPN Images/Phil Ellsworth)

Edgard Vovô (foto: ESPN Images/Phil Ellsworth)

Aos 32 anos de idade, o mineiro radicado em São Bernardo do Campo Edgard “Vovô” Pereira, participou nesse ano da sua nona edição dos X Games e ganhou uma medalha de bronze com gosto de ouro. Ele protagonizou um dos melhores momentos do evento ao acertar um perfeito backside heelflip indy 540 em plena final. Mas para surpresa de todos, sua nota ficou bem abaixo da esperada.
Vovô conversou conversou com o X Games Brasil sobre a manobra, o começo, mercado do skate, patrocinadores e os planos para o segundo semestre de 2014.

Você começou a andar de skate ali naquela minirrampa do Jordanópolis, em São Bernardo?
Na verdade, eu comecei a andar na rua, de street. No bairro que eu morava, do lado do Jordanópolis, o Bairro Continental. Eu andava com os moleques na rua, a gente tinha feito uma rampinha, um trilho, então começamos a andar ali. Aí uma vez eles falaram, vamos ali no Jorda que tem uma minirrampa. E foi a primeira vez que eu tive contato assim como uma rampa sem ser de street. Eu curti muito. Sabe aquele negócio, dei uns fakies, vi qual que era. E nem consegui dormir naquela noite. No dia seguinte já fui lá de novo. Fui indo, fui indo, aprendendo manobras. E nisso também intercalando com São Bernardo e a minirrampa. Andava bastante também em São Bernardo. Então como teve essa abertura de conhecer uma minirrampa ali no Jordanópolis e tive alguns contatos, algumas novas amizades que iam para São Bernardo, então comecei ir pra São Bernardo também. Então estava nos dois. Lá no tri-banks de São Bernardo e na minirrampa do Jorda. E aí foi o começo da história de curtir, gostar do vertical. Já comecei a ver o half de São Bernardo mas tinha muito medo. Aos pouquinhos fui começando andar.

Agora demoliram a rampa e construíram um skate plaza no lugar. Você acha que se fosse o plaza ao invés da minirrampa, você seria um skatista da Street League hoje em dia?
Eu não sei o que teria acontecido. Realmente, na época eu gostava muito de street, gosto até hoje. Eu me identifico mais com o vertical. Mas eu acho que são fases. Acho que tinha quase 20 anos essa minirrampa do Jordanópolis, foi bom pra mim, foi bom pra outros skatistas que andaram lá. Tiveram alguns eventos lá muitos anos atrás. E agora é a vez dos skate plazas. A molecada que anda lá hoje anda mais em street. Eu não cheguei a ir lá ainda, mas vi algumas imagens, todo mundo fala que tá legal. Essa evolução dessa skate plaza com qualidade vai ajudar muito a molecada ali. E é um lugar que tem potencial. Eu acho legal pra caramba. Alguns foram contra, até conversei com um pessoal que conheço de lá, “vão tirar nossa minirrampa”, disseram. Mas eu acho que é isso, são fases, evolução. Se é o momento do street ali pro Jorda vai ser legal. De repente podem surgir vários talentos de lá também. Tem muita molecada boa ali. E ao redor do Jorda também, tem muita molecada que anda de street. E tem muita gente que está andando lá e está gostando.

Você acha que para andar na megarrampa, do ponto de vista overall, precisa ter base de street?
Pra mim, no meu skate na megarrampa, pra andar no corrimão, ou no manual, no próprio transfer, a base que eu tenho de street, de andar de vez em quando, tá me ajudando muito. Então não sei te dizer com certeza se um moleque que nunca andou de street, nunca deu um 50-50 num trilhozinho vai dar um 50-50 na megarrampa. Mas hoje o skate mudou muito. A gente vê o Tom Schaar, o próprio Mitchie Brusco. O Mitchie Brusco anda muito bem de skate, e ultimamente ele está andando mais de street do que de vertical. Manda bem pra caramba. E ele anda fácil no corrimão. O Tom Schaar eu nunca vi nem tentando um 50-50, ou um rockslide, alguma coisa nesse sentido. Eu também nunca vi ele andando de street. Mas a molecada desenvolve muito fácil. Então eu acho que quando é moleque, se é um moleque que anda direto na megarrampa e não gosta de street, ele acaba desenvolvendo um jeito de andar na megarrampa e vai conseguir andar no corrimão com certeza, no manual. Mas a galera que é mais antiga, eu acho que se não tiver o street vai penar um pouquinho mais. Porque é totalmente diferente o ‘timing’, velocidade. Mas você precisa ter aquele ‘feeling’, qual o movimento que você faz pra dar um smith no corrimão. Uma coisa também é o cara só ir lá e dar um rockslide e dizer que sabe andar no corrimão. Não é isso. É uma manobra que você acertou, mas evoluir nele é difícil. Eu acho que tem que ter esse ‘feeling’.

Quando você acertou o backside heelflip indy 540 nos X Games desse ano, o que veio à cabeça? Você ficou enlouquecido.
Meio que descarreguei. Na primeira volta eu já tinha feito um backflip com flip 540 bodyvarial de 17 pés. E minha nota foi muito baixa. Na minha opinião. Achei que realmente os caras seguraram muito na minha nota. E eu fico sempre me questionando, porque os caras sempre dão nota baixa? Não é a primeira vez, acontece, então também acho que não vai ser a última. Então ali entre uma volta e outra, conversando, a galera dizia, “é porque o bodyvarial é mais fácil”. Não sei de onde alguns caras falam que é mais fácil. Se fosse mais fácil, todo mundo faria. Eu acho que cada um tem uma facilidade para alguma coisa. Eu falo pra mim assim, lógico, muita gente dá as manobras de bodyvarial e eu sou um cara que usa muito bodyvarial. Porque eu tenho essa facilidade. Mas todo mundo fica falando, “o 540 flip bodyvarial é mais fácil que um flip indy, que um flip mute”. Na minha cabeça veio, eu já tentei algumas vezes, veio na mão. Então vou tentar, vou ver se rola. Se fosse tão difícil quanto a galera fala, eu não teria acertado de primeira como na primeira tentativa que eu tentei. E pra mim, não mudou nada. Vou tentar de indy, vai valer mais pontos. Realmente, de indy valeria muito mais pontos, e pra mim não senti diferença. Realmente, é uma manobra nova, diferente, é legal estar evoluindo muito. Então a explicação dali, que eu fiquei enlouquecido, era mais dos juízes, eu estava de cara com a nota que eles estavam me dando já desde a eliminatória.

Aí saiu a nota e você ficou muito frustado, foi visível.
Foi visível. Realmente, naquele momento, eu achei que ia pra primeiro, ou segundo. Mas não foi. Não foi o que aconteceu, eu fui pra terceiro. Mas também, eu tenho que respeitar, não é qualquer pessoa que está ali julgando. Se eles acharam isso, eu tenho que concordar. Não concordar, mas no mínimo respeitar. Apesar de eu não ter concordado com eles, eu respeitei. É opinião deles. Cada um tem uma opinião e eles que estão julgando. E quem sou eu pra falar que eles estão falando errado. Só não concordei.

Aí você tinha mais um drop ainda. Como é andar depois disso? Tem motivação?
Ali você tem duas opções. Ou você usa aquele instinto, como eu usei nessa volta, que eu acertei o 540 heelflip, eu usei aquela vibe da primeira nota baixa pra me puxar e mostrar evolução. Dei uma manobra inédita, nunca foi feita nem no half, nem na megarrampa. E não foi o suficiente. Então pra última, na minha opinião hoje pensando, eu não usei essa mesma gana de fazer isso de novo. Se eu tivesse usado, talvez eu poderia ter acertado 360 flip no gap. A desculpa deles foi que o backflip é uma manobra ultrapassada. Sendo que dois anos atrás o Jake ganhava campeonato com backflip. O Bob passou pra primeiro num campeonato dois anos atrás dando um backflip. Então tem que ter um respeito da manobra ali. Acho que não tem esse negócio de manobra ultrapassada. Lógico, não vai valer como um 720. Eu poderia ter tentado um 720. Tentei algumas vezes, quase acertei. Mas eu quis fazer diferente. Eu poderia ter dado um 720 e twist no quarter. Mas é o que todo mundo tá fazendo. Então eu pensei, se eu der um backflip e evoluir um pouco mais no quarter, eu vou me destacar de uma outra forma. Mas é o que te falei. São opiniões diferentes e tem que ser respeitadas. Mas voltando a sua pergunta, eu ali dei uma brochada, fui meio que sem vontade na última volta. Sendo que hoje, pensando, vendo o campeonato de fora, eu faria diferente. Eu ia lá e evoluir mais um pouco.

Foi a primeira vez que você acertou o 540 heelflip indy?
Foi. Eu tentei algumas vezes na casa do Bob. Mas eu nem imaginava que eu ia voltar ela no campeonato. Mas tentei algumas vezes mais pensando, de repente indy, tentei umas de mute, justamente pra tirar o bodyvarial. E ali na hora pensei, vai que da certo. E deu certo! Foi muito legal, fiquei feliz pra caramba. E é uma manobra que eu realmente acho que agora é mais um 540 flip que vai me ajudar. A evolução do skate mesmo pra mim. E num evento importante como esse também, se eu precisar usar vai ser bem importante.

Já virou uma manobra clássica. Sempre que a gente relembrar os X Games Austin vamos se lembrar dela.
É, teve uma repercussão bem legal. Muita gente veio conversar comigo. Depois, no dia seguinte, a gente vai lá pra acompanhar o resto do evento e o pessoal vem conversar. Teve um feedback bem legal. E por ser uma manobra inédita, que ninguém estava esperando eu tentar a manobra. Eu tentei de primeira e acertei, então até eu me surpreendi, porque eu não esperava que viria tão perfeito na minha mão, o timing certo. Porque é o que a gente sempre fala, você flipar na megarrampa é difícil vindo dos 60 pés. Então eu não esperava que fosse flipar tão certo, que eu não ia descolar nem entrar, ia dar tudo certo. Foi legal que rolou assim, meio que acreditei ali na hora e foi perfeito.

E quais os próximos planos agora para esse segundo semestre?
Segundo semestre está cheio de coisas boas também. Tem o circuito brasileiro, a primeira etapa agora em Fortaleza, tô indo agora dia 21. E logo depois começa o circuito Banco do Brasil, a Copa de Vertical, que tem quatro etapas, uma vai ser de street. Se eu não me engano, em Belo Horizonte de street e outras três de vertical. Falta pouco tempo para acabar o ano e já tem pelo menos quatro campeonatos confirmados só aqui no Brasil. Isso nos alegra, porque nossa modalidade está meio difícil, o vertical, megarrampa. Esse ano só tiveram, até agora, dois campeonatos de mega. De vert só corri lá fora, na China. No Brasil pelo menos já confirmaram essas quatro etapas e tem mais três que estão para confirmar. Se confirmar, já são sete campeonatos em quatro meses. Então a gente tá bem aqui no Brasil, comparando lá fora. Pelo que a gente tá sabendo, o cronograma lá nos EUA, Europa, não tem nada de vertical até o final do ano.

E tendo eventos lá fora, você está com estrutura de patrocinadores para bancar as viagens?
Tenho. Na verdade, eu tenho um acordo legal com os patrocinadores. Aí tenho essas evoluções também. Fui pros X Games e fui bem. querendo ou não, medalha de bronze nos X Games. Você se dando bem nos campeonatos, tem como cobrar um pouco mais. “Pô, preciso ir lá pra fora correr campeonatos.” E antes dos X Games teve o campeonato lá na casa do Bob, campeonato de megarrampa da Globo. Também me dei bem lá. Você vai negociando com os patrocinadores. Tem o orçamento anual pra gente viajar, se estoura, e precisa pra um evento importante, a gente conversa ali com o patrocinador e tenta um acordo. E lógico, tira um pouco do bolso e consegue viajar.

Quem que está te dando suporte hoje em dia?
A Tent Beach, que já tenho uma parceria de 12 anos. Universidade Metodista, que é a faculdade, uma parceria grande. A Live Skateboards, que tenho pro-model de shape. Type-S rodas, que é do nosso amigo e ídolo Lincoln Ueda. Arnette, que é óculos, que me da um suporte legal há quatro anos. Norton lixas e Thunder Trucks. Isso é fundamental, você sabe como é, a gente precisa de material bom, que dá para utilizar diariamente. Não tem aquele problema de ficar cada hora andando com um eixo, com uma roda, um shape. Tem aquela dificuldade de adaptação. Estar sempre com o mesmo produto, mesmo material ajuda bastante na evolução também. Então esses são meus patrocinadores hoje.
A gente percebeu que nos últimos três, quatro anos, a realidade é o seguinte: quem tem patrocínio tem que segurar pra manter o máximo. Tá difícil, tanto aqui quanto lá fora a gente vem conversando. Tem uma molecada conseguindo patrocinador, mas hoje é difícil uma geração um pouco mais velha conseguir um novo patrocinador. Inclusive, estou sem patrocinador de tênis fazem uns dois anos.

Eu não sei como está no street. Eu vejo o mercado se movimentando, mas pro vertical hoje está muito difícil. Muita gente boa andando de skate tanto aqui no Brasil quanto lá fora também, e não tem patrocínio, condições de viajar, participar dos eventos. Ou não tem condições de ter um espaço num vídeo. Porque lá fora a galera trabalha bastante com isso, é diferente do mercado do Brasil, você sabe bem. E não tem essa condição de filmar. Então a gente fala, quem tem, tem. Quem não tem, tá difícil de conseguir e o negócio é conseguir manter. Tentar manter porque está cada vez mais difícil.

Isso aí você acha que é coisa do mercado, é o público que não está dando atenção?
É um conjunto. Eu não sei exatamente o que está acontecendo com o mercado. Porque o mercado está vendendo pra caramba, a realidade é essa. O mercado do skate está crescendo a cada ano. A gente vê números aí, que são divulgados. Nesse ano os caras estão vendendo muito. Eu não sei, mas acho que as marcas de skate em si não estão valorizando tanto os skatistas. Acho que não só no vertical, acho que até no street. Hoje, você conhece, você é de uma geração que lembra muito bem, que a gente corria campeonatos, o circuito brasileiro, porque eram as marcas de skate que faziam, as marcas de skate que patrocinavam skatistas. Hoje é muito difícil. Você vê os principais nomes. Rony Gomes, que tem um ou dois patrocinadores específicos do mercado do skate, e depois o resto é tudo de fora. Eu mesmo, do mundo dos esportes de ação, é a Tent, Arnette, que venho mantendo um relacionamento faz tempo. Mas se você não buscar outras opções, de fora do mercado, marcas fora do seguimento, você não consegue sobreviver no skate. Essa é a realidade. Então, eu não sei de quem que é a culpa. Hoje é difícil você ver um skatista se manter e viver bem com patrocinadores, principalmente patrocínio de skate. Hoje acho que as marcas de skate não estão patrocinando ninguém. Não estão patrocinando eventos. Muito difícil você ver evento com patrocínios de marcas de skate. Querendo ou não, hoje a gente acaba dependendo da TV pra poder ter um evento grande. E eu acho que é isso que está acontecendo.

Como você sente o público em eventos de skate? De dez anos pra cá você acha que está crescendo? Porque eu tenho a impressão que tem diminuído.
Eu não sinto isso. Depende do ponto de vista de cada evento. Por exemplo, um X Games, há cinco anos atrás, um campeonato de megarrampa, era feito dentro de um estádio, um espaço menor. Então lotava esse espaço muito rápido. Hoje, se você pegar esse ano, o espaço era muito grande. Podia ir muita gente que não ia completar o espaço. Eu sentia que tinha muito fluxo de pessoas. Se eu não me engano, comentaram que tinha lá 40, 50 mil pessoas. Era uma pista de corrida de carros. Então, realmente, o espaço era maior. E aí você pega umas imagens de um ponto muito alto, vai parecer que tinha pouca gente. Agora, eventos no Brasil, eu sinto que não mudou nada. Na verdade, tem cada vez mais pessoas de um público diferente. Antigamente iam mais skatistas. Amadores, molecada que está começando. E hoje em dia tem mais leigos no público em geral. A maioria, ou não anda de skate, ou é simpatizante, ou gosta, ou está conhecendo. Eu vejo essa diferença, porque quando eram as marcas de skate que faziam os eventos, puxava mais a galera ‘core’, que curte mesmo. Eles sabiam, uns se comunicavam com o outro, então era mais a galera do skate. Hoje eu vejo mais esse público leigo nos eventos. Mas o público está sempre presente, dando aquela força, e bombando.

Skatícia especial: Nyjah Huston é o campeão do Super Crown World Championship 2014

O Super Crown World Championship, realizado na noite desse domingo em Newark, EUA, foi a final mais disputada de todas competições da Street League. Na última rodada, quatro skatistas tinham chances de ganhar. Matt Berger, Torey Pudwill, Nyjah Huston e Ishod Wair estavam no páreo.
Matt Berger mostrou que chegou na Street League para ficar. Desde que a Liga foi criada, todos os anos há renovações de skatistas. A maioria entra, não se destaca e sai. Mas com o canadense parece que será diferente. Desde que ganhou a vaga no Pro Open, Matt mostra que além de desempenhar bem no formato da competição, tem chances reais de ganhar. Nesse domingo, ele fez algumas das melhores manobras do evento e quase acertou um frontside tailslide saindo de 270 transfer, que lhe daria nota próxima do 10.
Ishod Wair liderou a maior parte do tempo na fase final. À vontade como sempre e competindo em casa, Ishod ainda tinha o diferencial da torcida do Estado de Nova Jérsei a seu favor. A estratégia usada foi boa, mas errou nas últimas duas tentativas, que aumentariam sua pontuação e colocaria mais pressão em Nyjah.
Quem bateu na trave mais uma vez foi Torey Pudwill. Depois de acertar seus potentes combos técnicos, só dependia da última manobra de Nyjah, 5.2 atrás. Uma manobra 5.3 para Nyjah é simples, mas ele tinha uma gigante pressão nas costas pelo título e a torcida da arquibancada o vaiando. Seria mais feio ainda Nyjah Huston apelar e fazer uma manobra apenas para ganhar, então ele partiu para um caballerial flip. Ele chegou a arremeter numa primeira tentativa, mas na seqüência acertou com perfeição, para decepção de Pudwill e da arquibancada de Newark.
O fator tudo ou nada prejudicou Luan de Oliveira. Após ficar em primeiro na fase Flow, ele foi eliminado na fase seguinte, a Impacto. Os skatistas tinham quatro tentativas para somar uma nota para adicionar ao Flow, mas Luan foi o único que não acertou nada. Ele insistiu num fakie flip descendo o gap. Apesar de breve participação no Super Crown, Luan saiu bastante aplaudido da arena. Dignidade é a melhor definição para esse gaúcho, que chegou no evento na segunda colocação no ranking e não merrecou para tentar avançar.
Apenas os oito melhores do ano participaram do Super Crown World Championship. Com a parceria da Street League com a Federação Internacional do Skate anunciada há algumas semanas atrás, existe a expectativa que surjam competições em todos continentes para classificar mais skatistas para a Liga.
Assista a reprise na íntegra no www.streetleague.com, assim como todas as manobras acertadas na temporada.

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Skatícias #103

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Ryan Sheckler venceu pela terceira vez consecutiva a competição de Streetstyle do Dew Tour no último domingo. O evento nesse ano aconteceu em Portland, depois de dois anos acontecendo em São Francisco. Kelvin Hoefler ganhou o prêmio de melhor manobra na sessão de Best Trick, realizada no sábado, com vitória no geral de Alec Majerus. O nollie frontside bluntslide to fakie de Kelvin no corrimão foi considerada a manobra mais difícil.
Sheckler foi o skatista com melhor aproveitamento no Streetstyle, que é uma modalidade realizada numa ladeira cheia de obstáculos. Assista pra entender a insanidade.

A Kronik Skateboards apresentou oficialmente o cearense Lucas Rabelo na marca com um vídeo de boas-vindas.

Outro skatista amador nordestino que vem chamando atenção é o soteropolitano Felipe Oliveira. Nessa semana ele lançou o “Look Dat Shit 1/2”, a primeira parte da série que fechará ainda nesse ano.

Agnelo Queiroz por Fernando Torelly

Agnelo Queiroz por Fernando Torelly

Há algumas semanas atrás a administração de Taguatinga, DF, demoliu uma pista com a justificativa que o local era um ponto de venda de drogas. Os skatistas e a população local se revoltaram, se mobilizaram e foram recebidos pelo Governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz. Ele prometeu construir a maior pista de skate da América Latinano Parque da Cidade. A pista terá 13 mil m² e as obras estão previstas para começar em setembro. “Eu assinei um decreto agora garantindo que toda pista de skate terá os padrões técnicos adequados e será acompanhado por uma comissão que realizará toda a elaboração da pista de skate. A pista vai se chamar Brasília Skate Plaza e é um projeto para atrair eventos nacionais e internacionais para Brasília. Será uma pista com parâmetros profissionais e essa mesma comissão já vai atuar na pista da praça do DI, porque também é uma pista importante que será instalada com toda iluminação, infra estrutura e cercamento – coisa que não tinha anteriormente”, afirmou o Governador após a reunião.

Na manhã da última sexta-feira, Paul Rodriguez apertou o botão para iniciar a sessão na Nasdaq, bolsa de valores de Nova Iorque.

A grande final da temporada 2014 da Street League, a Super Crown World Championship, acontece nesse domingo em Newark. Luan de Oliveira, Paul Rodriguez, Ishod Wair, Shane O`Neill, Chaz Ortiz, Nyjah Huston, Torey Pudwill e Matt Berger disputam o título e prêmio de 200 mil dólares. A transmissão começa às 22h (horário de Brasília) pelo www.streetleague.com.

Pista do Super Crown World Championship (Reprodução)

Pista do Super Crown World Championship (Reprodução)

Vídeo da semana: Na edição de agosto da Thrasher Magazine Torey Pudwill disse que está se empenhando para ganhar o prêmio da Skatista do Ano. Sua parte no vídeo da Plan B, programado para ser lançado em novembro, é uma das mais aguardadas. Mas nessa semana ele lançou uma parte chamada Supernova, para promover seu novo modelo de tênis pela DVS. A cotação de Torey para SOTY aumentou, e a expectativa para sua parte no True também.

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Jay Adams, Descanse em Paz

Esse texto foi originalmente postado no www.espn.com.br/skate

Quando Deus decidiu criar o skate, ele criou Jay Adams - Stacy Peralta (foto: Glen E. Friedman)

Quando Deus decidiu criar o skate, ele criou Jay Adams – Stacy Peralta (foto: Glen E. Friedman)

Jay Adams, o mais radical dos Z Boys

Jay Adams era o principal skatista dos Z Boys. Todos os integrantes do grupo de crianças e adolescentes que revolucionou a cultura jovem na década de 70 eram fortemente influenciados pelo caçula, que se sobressaia com seu estilo agressivo em cima do skate e atitudes radicais fora dele. Sua rebeldia chocava porque o mundo era careta. Antes deles não existiam referências.

Mas quando o skate explodiu nos EUA, se transformou num esporte popular e os skatistas começaram a ganhar dinheiro, Jay Boy simplesmente abandonou o time. Teve atitude de abrir mão de fama e dinheiro para continuar andando de skate e surfando apenas por diversão.

“Ele não ligava. Foi por isso que não se deu bem. Ele nunca ligou para as recompensas materiais que o skate oferecia. Jay tinha uma atitude do tipo foda-se com o lado comercial do skate,” explica Tony Alva, o rockstar dos Z Boys, no documentário “Dogtown and Z Boyz”, de 2001.

Outro depoimento do filme que chama atenção é de Wentzle Ruml, quando disse que Jay ficou assustado com o lado comercial e cheio de responsabilidade de um skatista profissional. “Era preciso ser responsável, aparecer no horário combinado, fazer apresentações, viajar.” Regras que não combinavam com o estilo de vida que ele ajudou a criar.

“Era muito divertido antes de ficar sério demais. A época das competições amadoras era ótima. Quando o skate se profissionalizou, ficou muito sério. Parecia que o pessoal não estava se divertindo tanto. Era um emprego. Havia muita tensão”, disse Adams durante Dogtown.

A notícia da morte do caçula dos Z Boys Jay J. Adams pegou todos familiares, amigos e fãs de surpresa. Ele sofreu um infarto fulminante na madrugada do dia 15. O primeiro a se manifestar pelas redes sociais foi Peralta. No Instagram ele escreveu, “Acabei de receber a terrível triste notícia que Jay Adams se foi na última noite devido a um ataque cardíaco fulminante, envie seu amor.”

Aos poucos, mais homenagens foram acontecendo, assim como mais informações foram se confirmando. Jay morreu nos braços do amigo Alan Sarlo, que estava o acompanhando numa viagem para surfar em Porto Escondido, México. Essa era a primeira viagem para fora dos EUA em mais de 20 anos, já que Jay Boy era impedido de sair do país por responder por processos criminais.

Mas há anos o skatista estava longe das drogas e crime. Convertido ao cristianismo, pregava em igrejas de amigos.
O lorde de Dogtown estava com a esposa e um grupo de amigos – entre eles os Z Boys Solo Scott e Allen Sarlo – há três meses em Porto Escondido, onde surfou todos os dias.

A situação do skate atual é tudo o que Jay Adams abominou nos anos 70. Se transformou num dos esportes mais populares do mundo e está prestes a ser incluído nas Olimpíadas. Mas independente da popularidade do skate, sempre haverá skatistas que andarão por diversão. E essa essência é o maior legado de Jay Adams.

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Carlinhos Zodi finaliza Kingstone Bossa no Tuff Gong, estúdio de Bob Marley. Assista o documentário

Fico feliz quando vejo alguém realizando um sonho. Principalmente os surreais.
O Carlinhos Zodi realizou um e produziu um documentário sobre esse sonho.
Ele foi para Jamaica para finalizar seu disco Kingstone Bossa. Viajou sem planos, mas as forças do destino traçaram grandes surpresas. Durante uma semana acabou conhecendo grandes ídolos, que participaram da produção e fechou Kingstone Bossa no Tuff Gong, estúdio do Bob Marley.
Baixe as músicas do Kingstone Bossa e trabalhos anteriores do Carlinhos Zodi no www.carlinhoszodi.com.

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