quinta-feira , 17 agosto 2017

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Acessibilidade dos materiais de skate

Publicado Em: 31/10/2008 20:28


Há tempos eu tava encucado com uma dúvida. Em 1990 foi lançado o shape do Alexandre Ribeiro pela URGH!, que na época revolucionou toda indústria. Foi o primeiro model com nose gigante. Alguns meses antes, a Lifestyle havia lançado o do Thronn também com nose grande, mas o do Ribeiro tinha praticamente o mesmo comprimento do tail. Nessa época os formatos dos shapes eram seguindo o estilo tubarão.
O Alexandre Ribeiro foi um skatista espetacular. Em 1990 ele estava muito avançado pro nível dos skatistas brasileiros. Acho que toda molecada da minha geração queria ser como ele. E quando a URGH! colocou o model dele no mercado logo foi sucesso de vendas. Eu tinha apoio de uma loja, mas como lá não vendia URGH!, corri atrás de um emprego de office boy pra ter a grana.
Aí, me veio a dúvida, porque lembro que o salário mínimo era exatamente o preço do shape. Ou seja, hoje, seguindo essa lógica o shape custaria R$ 415. Mas aí fiz outra conversão. Meu salário na época era NCZ$ 3.674,06 e o dólar tinha uma oscilação absurda. No dia primeiro de março custava NCZ$ 31,251 e no último dia do mês NCZ$ 41,933. Um shape nacional por U$ 100. Mais de R$ 200?

Meu primeiro registro em carteira

O preço médio de uma madeira nacional de qualidade hoje em dia é R$ 70. Eu costumo comprar models da Girl e pago R$ 200.
Isso se chama acessibilidade. Acho que o maior problema de quem reclama que as peças são caras, é que ninguém quer comprar. Só querem ganhar. Claro que os preços podem baixar mais, mas só quando valorizarem as empresas que investem para que haja essa evolução.

Aqui em baixo, dois models do Alexandre Ribeiro. Essa foto é do Jorge Kuge, dono da URGH!, que me confirmou que a média de preços eram U$80 por cada um. Mas acho que nenhum desses foi o primeiro pro-model do Ribeiro. O da direita acho que foi o segundo.


Logo que recebi o salário já fui demitido. Peguei o salário e corri pra Hammerhead (que hoje em dia é conhecida como Central Surf) e gastei com gosto os suados cruzados novos. Logo que montei o skate, juntando a inspiração do Alexandre Ribeiro, evoluí muito. Foi a época que meus ollies começaram a grudar nos pés e subir. Tava muito empolgado, andando dias e noites direto, até que o skate espirrou pra baixo de um ônibus e virou migalhas. A loja que eu tinha apoio viu minha evolução com esse shape e me deu um novo. Se tornou revendedora da URGH! E é assim que deveria funcionar o mercado…

Em tempo. O Alexandre Ribeiro era um dos locais da ZN Skatepark, um templo do skate paulistano. Pista em que ele era o rei absoluto. Segunda-feira agora rola a première do documentário “Lembranças de uma geração” no Cine Olido. O Rubens Sunab digitalizou dezenas de fitas gravadas despretenciosamente entre 93 e 97 na pista e o Wagner Profeta editou. (leia AQUI a notícia no site da 100%)
Torço para que o Alexandre Ribeiro esteja lá!

Não confundam com o falecido Alexandre Ribeiro, do Rio Grande do Sul.

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