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Abaetetuba

Publicado Em: 14/03/2008 22:21


Na última vez que estive no Estado do Pará, em 2005, recebi o convite pra conhecer a cidade de Abaetetuba. Em Belém, bastante gente comentava que a pista da cidade era uma das maiores e melhores que eles já haviam andado. Juntei a curiosidade com o convite e literalmente embarquei no barco. Pra chegar nessa cidade, saindo de Belém, tinham duas opções: uma direto de ônibus, e outra de barco e depois mais um ônibus. Navegando, corta-se um bom caminho, fora a experiência pra ver o visual, coisa incrível pra quem viveu toda vida em metrópoles.

De início, me assustei um pouco quando vi o barco. Tem dois andares, bem miniatura daqueles que fazem a linha Rio-Niterói, em condições meio duvidosas, desses que a gente costuma assistir que naufragou.

Enfim, também tenho medo de voar de avião.


Dentro, tem uma TV lá na frente, coletes salva-vidas presos no teto e vários vendedores ambulantes. Vendem bebidas, frutas e salgadinhos. Não lembro, mas talvez vendessem outras coisas, tipo óculos de sol, enfeites etc.

Acho que o trajeto pelo rio demorou uma hora. Rápido, pra marinheiros de primeira viagem como eu. Queria ver cada detalhe ao redor, desde os pássaros voando, a vegetação, até a expectativa de poder ver algum boto saltar ao redor da embarcação. A cidade grande desaparecendo no horizonte e eu mergulhando na selva. Lá sim é a selva, como os gringos generalizam que vivemos, e que eu não conhecia. Riscos reais de tropeçar numa cobra ou uma coruja trombar na tua cara com um vôo rasante caçando sua presa.

O destino final do barco era Barcarena. De lá foi mais uma hora de ônibus até Abaeté. Esse trecho de mais uma hora foi chato, dei uma cochilada e acordei já na rodoviária, pequena, mas bem movimentada. Ultimamente a cidade ficou bastante falada nos noticiários, por causa daquele caso da menina que tava presa junto com os marmanjos. O presídio ficava na frente dessa rodoviária, mas nem notei.


Só quando desembarquei fiquei sabendo que teria que me locomover em motocas pela cidade. Andar de moto me faz entrar em pânico! Praticamente não existem automóveis em Abaetetuba. As ruas são tomadas de motos e bicicletas. E nunca ninguém deve ter escutado falar em capacete por lá. Até os policiais circulando de motos sem capacetes… E no caso da polícia parar, acho que o máximo que podem fazer é apreender a moto, porque imagino que ninguém seja habilitado pra ser multado.


As pistas no Pará são bem parecidas. Tem algumas características que vão influenciando entre elas. Tipo a pista do Gaúcho de Curitiba que foi reproduzida Paraná adentro. Mas não gosto muito da arquitetura paraense. Geralmente, o material usado não tem qualidade, e as proporções das medidas são bem ruins. A pista de Abaeté é daquelas com chão muito ásperos, obstáculos gigantes, que não tem espaço pra embalar e dar continuidade nas linhas. Sempre que eu chego nesse tipo de pistas eu penso, será que rola de andar aqui? Mas sempre aparecem os locais surpreendendo. Característica bem de skatista brasileiro. A molecada com material precário numa pista dessa consegue evoluir e manter o skate vivo numa cidade que eu nunca tinha escutado falar. Pra chegar em Belém de São Paulo leva-se dois dias de ônibus ou 4, 5 horas de avião. De Belém mais 2 horas…

Definitivamente, o skate está enraizado na cultura brasileira! Aí, fico imaginando, se essa pista tivesse um projeto descente, valeria a pena fazer uma viagem só pra andar nela, porque o espaço é grande, mas mal aproveitado.

Uma grande característica do povo paraense é o orgulho que eles tem da sua terra. Todos conseguem contar a história de cada detalhe e querem mostrar e ensinar tudo de sua cultura. Um dos orgulhos de Abaetetuba são os brinquedos de Miriti, feitos do tronco da palmeira de Miriti. Me levaram pra conhecer o centro cultural da dona Nina Abreu. Os brinquedos são bastante usados na tradicional celebração do Círio de Nazaré, que acontece no mês de outubro, em Belém. Essa madeira é bem leve, parece isopor. Eles esculpem e pintam para formatarem os brinquedos.

Ainda em Belém, quando comentei com algumas pessoas que iria à Abaetetuba, vários me pediram um favorzinho: comprar algum tipo de drogas… não lembro se era ácido, extase, ou sei lá o que. Como não uso, claro que não ia me arriscar pelos outros. O fato é que Abaetetuba é uma das maiores portas de entrada de drogas da região. Elas chegam pelos rios.

Quando estava na cidade, o pessoal quis me levar pra conhecer um lugar, tipo uma pousada, que passava um Igarapé e tinha palmeiras de Miriti. Tivemos que pegar uns 30 minutos de moto – sem capacete, claro; e no caminho contrário, vários carros passavam abarrotados de caixas. Todos carros que não vi no perímetro urbano parece que estavam nessa estrada.

Chegando no pico. O dono falou que tinha acabado de receber uma ligação da produção do Circo do Beto Carrero, e eles iriam almoçar lá, e não podíamos ficar muito tempo, pra não atrapalhar. Uma pena, parecia ser um lugar legal.


Mais meia hora de estrada, sem capacete, com a bunda e mão anestesiadas e regressamos ao centro.

Eis que fico sabendo o motivo da movimentação na estrada: um navio encalhou num banco de areia por causa da maré baixa e os ribeirinhos saquearam tudo. Carregamento de eletrônicos! Como o seguro cobre roubos, a tripulação nem reage. Parece que isso é comum na cidade. Só precisa dar “sorte” no bloqueio policial, que fazem na volta, mas como não dão conta, muito passam. TVs de plasma, DVD players, 50 reais na época.

Não obrigado. Eu precisava regressar à Belém e pegar meu vôo pra São Paulo. E lembro que nesse dia foi a final daquela copa que o São Paulo ganhou em Tokyo. Abaetetuba tem um sistema de som que abastece a população com notícias através de uma rádio pública. Alto falantes nos postes transmitem notícias, músicas, propagandas… e na hora do jogo, Galvão Bueno era a voz que ecoava pela cidade.

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