Skatista Spike Jonze em São Paulo

No Brasil, o skate é totalmente associado ao esporte. As pessoas têm muita dificuldade em relacioná-lo com cultura. Algo que é muito óbvio para nós, skatistas. Diversas janelas e portais se abrem quando a nossa mente entra em sintonia com o skateboard, pois não se trata apenas de manobras.

No dia 15 de maio, Spike Jonze, um dos skatistas mais bem-sucedidos da história, esteve em São Paulo como atração principal do São Paulo Innovation Week,  evento que, segundo a organização, recebeu 80 mil pessoas durante três dias no Estádio do Pacaembu. Spike subiu ao palco de um espaço lotado (que eu nem sabia que existia debaixo do gramado de plástico do campo de futebol) e participou de um bate-papo de 55 minutos com uma artista fã dele e um jornalista do Estadão. Os assentos limitados foram disputadíssimos. Quem não conseguiu lugar sentou-se no chão ou se espremeu pelos espaços ao redor para tentar acompanhar de alguma forma.

Sao Paulo Innovation Week plateia Spike Jonze
Plateia da palestra do Spike Jonze no São Paulo Innovation Week (Tiago Queiroz/Estadão)

Pelo material de divulgação, eu já imaginava que os assuntos abordados seriam superficialmente limitados aos seus trabalhos mais óbvios, relacionados a videoclipes e filmes. O skate não foi citado em nenhuma linha. Inclusive, quando fui me credenciar, a moça da assessoria estranhou o fato de uma mídia de skate ter interesse no Spike Jonze. Tentei uma entrevista exclusiva, mas disseram que ele não falaria com ninguém da imprensa.

Claro que eu não tinha a expectativa de que ele fosse abordado sobre o “Video Days” ou sobre suas raízes nas cenas de BMX e skate dos anos 80 com Mark Gonzales, Matt Hofmann, Natas Kaupas, Guy Mariano, Jason Lee, Rodney Mullen, Rick Howard, Eric Koston, Danny Way e Jeremy Klein. Nem que falasse sobre como Brad Pitt, Owen Wilson, Jack Black, Will Arnett e Björk embarcaram em seus projetos da Girl (e acredito que sem cachês envolvidos). Mas foi triste vê-lo encurralado tendo que responder a perguntas constrangedoras, como quando colocaram uma Inteligência Artificial chamada Joana para fazer um paralelo com a Samantha, do filme “Her”.

A única vez que o entrevistador citou o skate, houve um problema técnico com o fone pelo qual Spike ouvia a tradução. A resposta acabou saindo de contexto e os assuntos voltaram ao óbvio.

Mesmo assim, foi um prazer assistir Spike Jonze em São Paulo e ver vários ídolos do skate na plateia, como Alexandre Vianna, Zé Gonzales, Roger Mancha e Fábio Cristiano.

skate crew Spike Jonze
Parte do crew do skate brasileiro que foi prestigiar o Spike Jonze.

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