Yuppie Brigade

Em 1989 teve um campeonato de downhill slide na rua Itamonte, e o início da ladeira começava na minha rua. Então, eu queria ser o primeiro a chegar com o trânsito fechado para os carros pra poder andar sozinho

Só que cheguei junto com mais dois skatistas.

Um deles sacou o capacete da mochila e eu achei estranho, ninguém usava capacete pra andar na rua naquele tempo. No máximo, se usavam luvas e joelheiras pra dar os slides mais extensos.

Enquanto eles estavam se equipando eu já aproveitava a ladeira antes que enchesse. E quando eu estava subindo pro topo, o maluco me desce rasgando, dá um kneeslide e encosta o capacete no asfalto como incremento da manobra!

Alguns anos atrás contei essa história pro Sérgio Yuppie e ele disse que essa ideia foi o jeito dele chamar atenção pra se destacar. Na primeira tentativa ele já acertou com sucesso e não se lembrava que era eu lá testemunhando uma das sua primeiras maluquices.

A estratégia funcionou, eu nunca mais me esqueci dele.

36 anos depois…

Foto de dois homens sorrindo e fazendo sinal de positivo na câmera, um usando boné e o outro com camiseta esportiva, em um ambiente interno.
Sérgio Yuppie e Flávio Ascânio. (Sidney Arakaki)

Nessa semana eu estava na minha sala de cinema favorita, a Matilha Cultural, sentado entre o Flávio Ascânio e o Paulo Coruja, e na frente do Serjão, pra assistir o vídeo do primogênito dele, o Fernando, lançado pela Powell Peralta. 

Isso tem muitos significados pra minha vida.

O professor Flávio Ascânio é o cara que descobriu e batizou a Ladeira da Morte. O Coruja era um skatista profissional preto que descia as ladeiras com muito estilo e ele organizava o circuito Colina Abaixo, que participei de todos eventos em 1990 e segue sendo uma época que gosto muito de relembrar pelos momentos de diversão e aprendizado.

Enquanto eu estava sentado ali, fiquei tentando assimilar esses acontecimentos que o skateboard me proporciona. Estar com meus amigos de infância e os ídolos num mesmo lugar. São momentos que eu aproveito ao máximo, pois sei que sou privilegiado.

Eu sabia que o vídeo era da Powell Peralta, mas só tomei conta da proporção quando o filme começa com a introdução do Ripper, a caverinha da Bones.

Agora o vídeo está aqui online. E eu acredito que seja mais um capítulo da história do skate mundial. O skate autêntico brasileiro que nasceu nas minhas quebradas da zona norte paulistana.

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