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Skate na Caravana do Esporte

Caranava do Esporte é um projeto social do Instituto Esporte Educação e Instituto Mpumalanga, em parceria com o Unicef, ESPN e Disney.

Publicado Em: 31/05/2017 20:51


Em abril, a convite do Instituto Esporte Educação, Instituto Mpumalanga, Unicef, ESPN e Disney visitei Lauro de Freitas, na Bahia, para acompanhar o skate na Caravana do Esporte. Foi uma das melhores experiências da minha vida e uma grande satisfação ver o skate integrado num projeto tão nobre como a Caravana do Esporte.

Durante os dois dias em que estive por lá, vi a dedicação inspiradora de pessoas se doando para construir um Brasil melhor através da educação.

Produzi um vídeo e um artigo do “Skate na Caravana do Esporte”

 

O Brasil está em 79° no ranking de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), entre 188 países analisados pela ONU. E dentro da imensidão do nosso país, há centenas de cidades com índices sociais que chamam atenção para a desigualdade. A diferença entre classes sociais é descomunal e essa posição no ranking pode ser freada com a ajuda do skate.

Nesse ano o skate é uma das atividades esportivas fixas da Caravana do Esporte, projeto itinerante de ação social do Instituto Esporte Educação e Instituto Mpumalanga, em parceria com o Unicef, ESPN e Disney.

Nascida em 2005, a Caravana do Esporte foi criada pela jornalista Adriana Saldanha e já visitou centenas de cidades pelo interior do Brasil e até fora do país. Somando à Caravana da Música – criada em 2007 -, e posteriormente a Caravana das Artes, o projeto já atendeu dois milhões de crianças e jovens direta e indiretamente, capacitando 30 mil professores para multiplicar as metodologias da Caravana. As metodologias da Caravana do Esporte e Caravana das Artes atendem comunidades com infraestruturas precárias e proporcionam às crianças experiências por meio de atividades físicas e artes.

O skate na Caravana já é nosso velho conhecido. A gente teve no projeto, faz alguns anos, e agora ele retorna. O skate é a atração total, não tem criança que não goste, que não encontre afinidade de brincar com o skate, de aprender o skate. Então, pra gente, está sendo fantástico”, comenta Adriana Saldanha, diretora geral Caravana do Esporte e Caravana das Artes.

A Caravana do Esporte tem uma metodologia própria que foi muito fácil adaptar as atividades com skate. “A gente tem, dentro do IEE, um pessoal que tem uma metodologia voltada pro skate, e a gente agrega agora com a vinda do (Sandro Soares) Testinha, que tem uma metodologia semelhante a da Caravana. E entender o skate como algo lúdico, que é muito a proposta da Caravana. Entender o skate como carrinho de rolimã, que antigamente o moleque fazia o seu próprio carrinho. Entender isso como uma diversão, com uma ludicidade”, explica Saldanha.

O skativista social Sandro “Testinha” foi convidado para trabalhar como professor de skate da Caravana na temporada 2017. “Acredito que o convite veio através de uma conquista, o mérito pelo trabalho há anos, que a gente vem realizando com causas sociais com skate, e principalmente unindo skate com educação”, comemora Testinha.

O novo professor da Caravana diz que existem várias similaridades entre as metodologias usadas por ele e o projeto. “É um público de comunidades periféricas, pessoas que às vezes não tem condições de ter um skate em casa. Um objeto um pouco caro ainda. E a coisa de ainda ter que improvisar. Trabalhar a arte do improviso, trabalhar com as intempéries da natureza, com chuva, com muito sol. Eu acho que isso o Social Skate e a Caravana carregam juntos. E principalmente a coisa de ter uma pedagogia, ter uma direção. Não ser cada um por si e que vença o mais forte. Desde a hora de pegar um skate, formar uma fila e dividir as equipes”, diz.

Para facilitar o primeiro contato das crianças com o skate são improvisadas pequenas pranchas de madeira sobre garrafas PET cheias de água ou tocos, batizados de skatocos. O método estimula o equilíbrio e é o primeiro passo antes do contato do skate em si.

Em Lauro de Freitas a Caravana contou com alguns convidados especiais. Entre as personalidades que interagiram com as crianças e participaram da cerimônia de abertura com autoridades da cidade estava Sandro Dias.

O skatista viajou como voluntário e estava visivelmente emocionado com o contato com os novos skatistas. Muitas das crianças nunca haviam visto um skate na vida.

Conhecido pelos títulos em competições internacionais, Sandro foi aplaudido com grande entusiasmo pela população da cidade baiana. “Aqui é totalmente social, não tem nada competitivo. Mas eu sou conhecido pelo meu lado competitivo. (Quero) Aproveitar esse meu reconhecimento para incentivar a criançada a estar tendo uma experiência com skate diferente na vida deles, muitos deles pela primeira vez”, comenta Sandro, que não acha ser obrigação de skatistas profissionais atuarem como embaixadores do skate por causas nobres.  “Eu gosto de participar de projetos como esse, vendo o skate realmente crescer e dando oportunidade pra pessoas que nunca viram skate, nunca subiram num skate. É uma coisa que eu tenho comigo. Eu acho que ninguém tem obrigação de fazer a mesma coisa. Mas é uma coisa que eu gosto de fazer. Levar o bem para as pessoas e fazer as pessoas sorrirem.”

A pedagogia da Caravana do Esporte é coordenada pelo professor Alexandre Arena, que fala radiantemente sobre o skate dentro do projeto. “O skate tem uma mágica, que eu não vejo em outros esportes. Normalmente os esportes eles potencializam a questão da competição, de você vencer o outro. E essa exacerbação da competição, ela acaba fazendo com que o jogador olhe o outro muitas vezes não como adversário, mas como um inimigo. Essa questão do skate, de quando o sujeito faz uma manobra legal todo mundo bater o skate na rampa, é um componente extremamente relevante do skate e que o skate traz para a Caravana. Então essa questão do skatista de ser companheiro, de ser colega de valorizar a manobra do outro, de vibrar, e demonstrar isso na rampa, quando o outro faz uma manobra super legal, é um ouro para a Caravana do Esporte, e é um ouro para o esporte, que tem muito a aprender com essa questão genuína e tão generosa dos skatistas. Por isso que skatistas andam todos juntos, por isso que skate é um povo que se junta, que confraterniza, que se apoia e isso é uma grande contribuição que o skate traz para a Caravana do Esporte e para as competições e modalidades esportivas em geral”.

A metodologia de ensino do Instituto Esporte e Educação é dividia em cinco princípios básicos: Inclusão, Diversidade, Autonomia, Construção Coletiva  e Educação Integral.

O Professor Alexandre Arena explica os princípios:

INCLUSÃO/ DIVERSIDADE

A ideia da metodologia da Caravana é que ninguém fique de fora. Então nesses dias de Caravana, as crianças passam por estações esportivas, e nessas estações vocês sempre vão ver meninos e meninas jogando juntos, meninos e meninas de diferentes habilidades jogando juntos, as crianças brincando, resolvendo problemas, dificilmente vocês vão ver muitas filas.
Com inclusão de pessoas, de crianças, com inclusão de diferentes tipos de pessoas, alturas, tamanhos, pesos.
Crianças que vem pra Caravana pra brincar, necessariamente precisam ter sucesso. O que é o sucesso no skate? Conseguir andar de skate! O que é o sucesso no basquete? Conseguir fazer cesta! O sucesso no vôlei? Conseguir fazer ponto! Sucesso no futebol? Conseguir fazer gol! O sucesso no tênis? Conseguir rebater a bolinha, passar a bolinha pro outro lado! Isso tudo forma a pedagogia, a metodologia da Caravana. O jeito de fazer. Então esse princípio básico, que é o princípio da inclusão, ele é o guarda-chuva da Caravana, toda nossa metodologia é pensada em função disso. Todos os nossos materiais são construídos e elaborados em função da inclusão.

AUTONOMIA

Na Caravana, você vai ver, de repente aparece uma desordem, crianças saem, voltam, mas ninguém aqui tem um processo muito rígido, que criança tem que ficar junto o tempo inteiro. Elas tem liberdade pra sair, voltar e se reorganizar.

CONSTRUÇÃO COLETIVA

Outro componente muito interessante que vocês vão ver aqui é o desafio. Crianças precisam ser desafiadas em diferentes tempos e espaços. Então a questão da tabela, das bolas, da rede mais alta, mais baixa, enfim, de todo esse processo, é para provocar desafios. E provocando desafios, as crianças necessariamente tem que organizar ideias, conversar com o colega para resolver aquele desafio. E quando crianças juntas resolvem o desafio, elas são obrigadas a construir coisas coletivamente.

 

EDUCAÇÃO INTEGRAL

O principio da Caravana integral é olhar crianças como um ser único. Não dá pra dividir corpo, mente, pensamento de ação. Então crianças ao mesmo tempo pensam, agem, fazem. Isso é uma coisa respeitada pela Caravana e potencializada também.




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Sobre Sidney Arakaki

Skatista profissional e blogueiro
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