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Rodrigo TX para revista Tribo Skate

Entrevista com Rodrigo TX originalmente publicada na edição 244 da revista Tribo Skate.

Publicado Em: 13/12/2016 23:14


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Um pouco antes do meio do ano fiz uma entrevista com o Rodrigo TX colaborando com a revista Tribo Skate. Lembro que conversei com ele um dia depois de um jogo importante do Corinthians, e resolvi começar o papo sobre futebol, porque sei que ele gosta e até foi em vários jogos da Copa do Mundo aqui no Brasil.
Foram praticamente duas horas de conversa gravadas, que transcrevi e editei.
Falamos sobre vários assuntos e as fotos publicadas na revista (inclusive a capa) são de algumas das manobras que saíram no “Away Days“, vídeo da adidas Skateboarding que seria lançado depois de alguns dias.

Leia a versão digital da edição 244 da Tribo Skate. Se preferir, a entrevista também está logo abaixo.

 

Você foi no jogo do Corinthians ontem?
Não fui. Nem assisti direito, dormi.

Eu pensei que você fosse mais fanático.
Eu sou. Nos últimos três anos eu não perdi um jogo. Se eu perdi, eu escutei. Ou estava vendo o resultado ali no site. Mas esse ano está tão corrido que eu não tô conseguindo acompanhar nada. Do campeonato paulista mesmo, se você me perguntar sobre os times eu não sei. Se me perguntar do ano passado eu sei todos. No Pacaembu eu ia em todos os jogos. No Itaquerão, umas 30 vezes. Sempre que eu tô no Brasil tento ir.

Você tem facilidades pra conseguir ingressos?
Tem um mano que foi presidente da Gaviões no ano passado, retrasado. Ele é meu parceiro. Sempre que eu preciso em cima da hora, ele que eu aciono. Aí eu pego lá na porta com ele. Compro.
Ingresso eu até consigo pra ir. Mas agora o foda é a distância. Jogo de semana começa 22h e acaba meia-noite, você vai chegar em casa 0h40.

Isso porque você não tem necessidade de acordar cedo.
As pessoas acham que o Rodrigo só anda de skate. Mas o Rodrigo passa mais tempo trabalhando com a cabeça, internet, computador do que andando de skate, hoje em dia. Te juro! É meio que o pezinho aqui, a mãozinha ali, outra mão aqui. E não é de correrias só dos meus patrocinadores. Tenho a Official no Brasil. Tenho a Matriz, agora tem a Sigilo. Quase tudo que a Matriz faz e que precisa de opinião pra agregar um conceito eu participo também. São várias demandas. E eu não durmo. Ontem eu deitei meia-noite e hoje, 7h já estava assim.

Porque precisava?
Porque eu já não durmo. Durmo sete horas por dia.

Quando você viaja, acompanha futebol no geral até se está na Europa?
Acompanho. Se eu estou na Europa, e dependendo do horário e se a tour estiver indo bem, aí eu vou. Tento dar um jeito de ir. Não são em todas viagens. De três tours pelo menos em uma eu vou no jogo. É uma parada que eu curto, é bem diferente do skate mas eu curto. Se for nos jogos do Corinthians então, não tem comparação. Energia única. Eu falo pra você, só indo mesmo. Você vai ver o São Paulo, Santos. Mas depois você vai no Corinthians e ver que a energia é muito única. É uma união, todo mundo ali com a mesma vibe. Tipo, de torcer, de ganhar, de incentivar. E aquele gramado é um verde bombando. Saio do meu mundo por duas horas e entro ali no mundo do Corinthians. É muito louco.

Mas os são paulinos e os palmeirenses vão concordar?
Muitos não vão concordar porque futebol é como religião, política. Cada um tem uma opinião, é difícil. Tem que ter a cabeça muito aberta. Pra quem gosta de futebol, é claro 20% do time é a torcida.

O que você acha que dá pra comparar entre skate e futebol?
Eu acho que são duas coisas totalmente diferentes.

Mas ultimamente, com a popularização do skate, tem muitos simpatizantes, tem muita torcida por skatistas específicos. Vão até pra campeonato só pra torcer contra.
Eu vejo como duas coisas bem distintas. E por mais que o skate está cada vez mais caminhando pro lado Esporte, eu mesmo não consigo ver e falar sobre essa diferença. Pra mim, são dois mundos diferentes. O mundo dos campeonatos de skate é um mundo que eu não vivo faz tempo. O mundo que eu vivo, que eu gosto, que é o skate na rua, evolução na rua, liberdade, fazendo no meu tempo e me puxar na minha evolução filmando. Porque se eu não estou filmando, estou brincando, me divertindo. Não estou tentando as paradas mais difíceis. Então, pra mim, o skate é bem diferente do futebol. Tem várias coisas que eu não gosto do futebol também. O ‘teatro’ é uma coisa que eu não gosto do futebol, os caras simularem falta. Isso aí é falta de honestidade, de ética. Humano, né, mano! Você vai querer ficar ganhando na malandragem até quando?

É coisa de brasileiro?
É mais brasileiro. Não sei se tem a ver com cultura, mas é mais com futebol brasileiro.

Você foi em alguns jogos da Copa no Brasil. É muito diferente dos jogos que você está habituado a assistir.
Foi. Não se compara aos jogos do Corinthians. Não tinha torcida. O povo que estava lá é o povo que não acompanha futebol. Um povo que não vai em nenhum jogo, as vezes não tem nem time, mas tem dinheiro pra comprar o ingresso. É bem diferente. É a Seleção que todo mundo ama e só assistindo. Eu achei legal, na real. Eu nunca tinha ido em nenhum jogo da Seleção.
Os caras convidaram 12 atletas da NBA. O brand manager da NBA é amigo do brand manager do skate. O da NBA sabe que o do skate curte futebol, e falou que três pessoas não iriam. E era bem na época que estavam negociando o Miles Silvas, então foi perfeito pra levar ele e se entrosar. Aí a gente foi. Jogo no Rio, jogo em Recife e depois, meu patrão é alemão, Alemanha foi pra final. Depois do 7 a 1 ele voltou e me chamou. Aí fui também na final. Louco, mas é diferente.

tribo_244_capa-762x1024Patrão que você fala é quem?
Jascha Muller.

Ele é o que na adidas?
Vamos dizer brand manager, mas nem é isso porque não tem essa posição lá.

Esse ano você decidiu que está voltando para o Brasil definitivamente.
Eu sempre quis voltar. Faz mais de dez anos. Só que na minha época, quando eu cheguei pra poder ter oportunidade e poder conseguir crescer lá fora, tinha que estar lá. Estar vivendo no mundo deles. Eu entendi isso, entendi a oportunidade. Eu tinha minha necessidade também, de ganhar meu dinheiro. Eu aceitei morar lá sempre querendo voltar pra cá. Isso também é um dos motivos que eu viajei muito. Porque, na verdade, eu não gosto de morar nos EUA. Não gostei da cultura, estilo de vida. O estilo de vida para andar de skate eu nunca fui fã, na verdade. E viajando pra Europa eu me sentia muito mais em casa, muito mais perto do Brasil. E fazem alguns anos que eu tô me planejando, pensava que com 35 anos no máximo. Primeiro eu pensava com 30, depois com 32. Agora que eu tô com 32 meu plano era 35. E esse ano eu já queria ficar mais no Brasil. E agora com a Sigilo, mais focado e levando a sério, fazendo a Sigilo acontecer, isso fez sentido, a minha vontade, tudo que eu planejava, a idade que eu planejava e os projetos que eu tenho no Brasil, que eu preciso estar mais próximo. E ao mesmo tempo, andando pra adidas, que é uma marca alemã e tem um time bem internacional, pra eles é normal também. Porque eles tem um mercado grande no Brasil. É importante ter eu aqui, representante deles no Brasil com a adidas. E o meu patrão é bem humano, ele sabe que o skatista precisa estar feliz. Então ele me incentivou a isso. Ele já me perguntava porque eu não morava no Brasil ou na Europa. Eu falava pra ele que essa hora estava chegando. Mas é isso, vontade da vida inteira, de eu ter ido muito novo pra lá. Fui com 15 anos. Fiquei afastado da família bastante tempo. Mesmo tendo oportunidade de voltar todos os anos, a minha idade, vai ficando mais velho, os projetos que eu tenho. Tudo se encaixou agora. E esse é o primeiro, depois de 16, 17 anos que eu tenho um ‘break’ entre um vídeo e outro. Eu nunca tive. Eu sempre estava acabando um vídeo e já começava outro. Acabando um vídeo e começava outro. Na verdade, eu tenho um ‘break’, mas eu nem tenho, porque já querem fazer um outro projeto.
Eu voltei, mas não tô instalado ainda.

O planejamento já é todo aqui daqui pra frente.
Já me perguntaram se eu vou conseguir morar no Brasil. Eu acho que sim. Eu passei os últimos 17 anos viajando, curto muito. Mas uma hora isso diminui, cada vez mais. E a minha vida é isso. Eu vou ter que estar pronto pra isso, pra não cair numa depressão da vida. Que eu acho que não vai ser o caso. Mas por mais que eu more no Brasil vou continuar viajando. O mesmo ou até mais. A única coisa, é que ao invés de ir pros EUA eu volto pra cá. Aí eu vou umas duas, três vezes para os EUA pra andar, pra colar nas marcas. Mas a minha base vai ser no Brasil. E ainda estou me instalando, não quer dizer que eu já voltei. O que vai encaixar na minha cabeça “voltei” é agora, que na última vez que estive nos EUA embalei todas as minhas coisas. Eu volto, chego lá, guardo as coisas num galpão alugado e fico sem casa. Primeira vez nos EUA sem casa. Aí realmente não vou mais ter casa lá. Minha casa será realmente no Brasil. Ainda estou nesse processo de me instalar no Brasil.

O que definia os lugares que você morava na Califórnia?
O que definia morar em Costa Mesa, é que o brasileiro é como arroz. Se você não cozinhar bem, fica tudo junto, tá ligado? Os brasileiros são bem unidos e desde o começo, o (Renato) Cupim, Edsinho (Davi), foram pra Costa Mesa primeiro. Depois o Fabrízio Santos foi, o Piolho (Carlos de Andrade) foi. Eu ficava no Bob (Burnquist) que era San Diego, depois fiquei em Alhambra com o Lance (Mountain). Depois eu ficava com o Piolho, que era em Huntington Beach. Aí, mais uma galera começou a se mudar pra Costa Mesa. A galera se mudava pra Costa Mesa porque tinha brasileiros. Não porque era um lugar da hora. Costa Mesa é um lugar pacato. Eu gostava por causa dos brasileiros e porque é onde eu tinha mais calma na minha vida. Escureceu, eu estava dentro de casa. Eu morei dez anos em Costa Mesa e devo ter saído 20 vezes na vida.

Você curtia isso?
Eu curtia pra minha saúde. Porque se eu estava na Europa, estava andando de skate e bagunçando. Se eu estava no Brasil, estava andando de skate e bagunçando. Costa Mesa é um lugar que eu conseguia me acalmar.
Aí alguns brasileiros começaram a se mudar pra Long Beach. Que é mais cidade e é a última cidade que tem praia. É cara de cidade, mais movimentado, mais mistura de raças, só que tem praia, é tranquilo. E os brasileiros começaram a ir, quando eu olhei pro lado estavam só os pais de família. Juninho (Adelmo), Gerdal (Rodrigo Petersen). Aí pensei, o que estava fazendo lá. E fui pra Long Beach.
Eu nunca escolhi um lugar por achar ideal. Lugar ideal pra mim é Barcelona, São Paulo, Bangkok. Na real, eu nunca achei um lugar legal nos EUA.

Então suas escolhas seriam Barcelona e Bangkok pelo skate e São Paulo pela ligação de ser sua cidade natal.
Barcelona pelo estilo de vida, pelo skate, pela cultura, por amigos que eu tenho, pela facilidade de se viver bem. Não digo ter uma condição boa, mas viver a vida. Bangkok também, porque a comida é da hora. Comida tailandesa, a cultura é legal, tem muitos picos pra andar. A cena do skate é pequena mas todo mundo unido também. Super barato. Tem as praias também, que é um paraíso. E São Paulo, porque eu nasci aqui e fui embora  novo. Eu sempre tive saudades, eu curto o estilo de São Paulo também, do centro, nunca para, sempre tem coisa aberta. Sempre eu tenho parceiro pra fazer alguma. Comida. É onde eu me sinto em casa. Mas Barcelona tem mais vivência, você vive mais.

Sua saudade de São Paulo chega a afetar alguma coisa?
Afetar acho que não, mas as vezes você se estoura. “O que estou fazendo aqui, preciso voltar pro Brasil“. Isso já aconteceu algumas vezes.

A galera comenta que você é bastante perfeccionista. Você concorda?
Eu concordo, porque dizem que é do virginiano. Dizem que é tudo por sistema, as vezes eu sou sistemático. Eu acho que é meio da minha personalidade, do meu signo, e acho que acabou entrando no skate também. Só que vem também da cobrança de lá. Agora nem tanto, mas oito anos atrás dava pra ver a diferença do skate no Brasil e diferença do skate americano. Isso eu entendo. Por pico também. Me falaram uma vez e faz sentido. Tipo, no Vale do Anhangabaú. Lá você da dois impulsos, tem que estar com os trucks soltos pra fazer a curva. As vezes você já volta a manobra e tem que ajeitar os pés porque você vai descer outro degrau, tá ligado? Nos EUA você já dá dois impulsões, anda na mesa. Mais dois impulsões pula o banco. Então ajuda também a desenvolver o teu skate. Lá, você sai pra andar na rua, 95% da vezes você vai estar com câmera. Então você está sempre filmando. Sempre tem gente filmando. Isso naturalmente te incentiva a se puxar. E no meu caso, que é o que eu mais gosto de fazer, e o que me mantém vivo, são as partes de vídeo, filmar. Como que eu posso fazer isso melhor? Cada vez mais? Pode não ser com manobras, pode não ser com obstáculos grandes, mas eu posso ser mais sólido. Posso ser mais rápido. Posso fazer as curvas, usar o truck pra fazer a curva ao invés de assim (batida). São coisas que eu procurei evoluir, porque o skate é minha droga. Eu preciso fazer alguma coisa diferente pra mim, não com os outros. Como outro dia eu comentei, eu nunca tinha tentado switch frontside bluntslide reverse. Na base eu sempre dou blunt saindo de fakie, na base. Eu dei o switch blunt e fui dar o reverse. Eu não tinha nem tentado. Eu tentei uns três e voltei. Aquilo ali me deu uma sensação de criança, tipo, de aprender de novo. Então é isso que eu preciso. Nas minhas partes de vídeo eu tento evoluir em tudo. E as vezes nem tanto com manobras difíceis. Mas sempre tentar fazer coisas que eu não fiz. Independente se fulano deu de olho fechado, eu nunca dei, essa é minha viagem. E por toda essa viagem, por skate ser minha droga, de eu precisar evoluir, eu ter esse sentimento de evolução, eu consigo ter esse sentimento evoluindo de outras formas, com velocidade, mais solidez, com combinação das manobras. Então pode ser por isso que as pessoas achem que eu sou bem perfeccionista.

Essa nova parte, a do Away Days, é uma fase boa sua?
Eu acho que é uma fase boa. Você vai ficando mais velho, se você se dedica àquilo toda a sua vida, você vai evoluindo de várias formas, como eu falei. Não só nas manobras. Até tua visão, como se apresentar, o que você quer que seja diferente da sua outra parte. Eu acho que é um skate bem maduro, mais forte, mais sólido, com algumas manobrinhas diferentes. Ficou bom, é difícil eu ficar feliz.

Tem alguém que você cria uma expectativa pessoal pra assistir uma parte?
Tem o Anthony Van Engelen. Tem do Javier (Sarmiento) que eu quero sempre ver imagens dele. JB Gillet, Tiago Lemos, Lucas Puig.

Você consegue descrever a sensação de como fica feliz em ver essas partes?
É foda, mas meio que egoísta. O jeito, minha sensação. Não é egoísta, mas ao mesmo tempo é. Que muitos deles eu me sinto, as vezes eu nem conheço direito, mas eu me sinto como parte. O cara venceu, da hora, conseguiu fazer, tá andando. Onde entra o egoísmo, porque isso me faz me sentir que eu também consigo. E a maioria desses caras são mais velhos que eu. Só o Tiago Lemos que não.  E o Lucas é um pouco mais novo. E é o que me inspira também. Eu preciso ver coisas que eu gosto, pra me inspirar e continuar fazendo o meu também. Então, sempre que tem partes desses caras eu compro.

É legal você citar o Anthony Van Engelen, que é um skate na veia igual você, mas estilo de skate não parece tanto.
É diferente. Mas eu admiro muito, sempre admirei.

Como que um skate tão diferente pode te inspirar?
Talvez, porque é o lado que eu tento amadurecer mais também. Eu sempre curti ele porque ele sempre anda no gás, sempre teve um pop, sempre correu os bagulhos, sempre teve um estilo bonito dando uns impulsos. Sempre foi agressivo, mas agressivo com noção. E é um lado que eu tento evoluir meu skate. Não de ficar na trick-trick, nas manobrinhas. Andar mais rápido, os bagulhos mais corridos, conseguir andar em tudo. Qualquer obstáculo que você colocar, tentar pelo menos conseguir andar. E eu vejo o skate dele bem maduro assim. Tipo, até ele poderia dar as manobras mais técnicas, mas é o que ele curte. E eu consigo me inspirar naquilo e agregar um pouco daquilo com o que eu sei fazer.

Você é um cara de hábitos bem simples. Diferente de muitos que nem tem nada, acham que estão com sucesso e gostam de ostentar com carros, roupas.
Eu sempre tive um pezinho bem no chão. A gente vem de família humilde e do meu pai sempre ser batalhador, desde moleque, minha mãe também sendo dona de casa. Desde moleque a gente trabalhava com meu pai, tipo 8, 10 anos de idade. E aí com uns 12 eu já trabalhava no mercado sozinho. Eu sempre via ali a realidade dentro de casa e que não era ruim. Mas não era favorável. E a minha família no Rio, que é bastante humilde também. Acho que isso sempre me manteve com os pés no chão. E eu sempre tive que trabalhar pra comprar minhas pecinhas, comprar umas paradas, comprar tênis, comprar shape. Então quando eu comecei a ganhar dinheiro eu dava pro meu pai e pra minha mãe. Campeonato de Praga (1999) eu ganhei cinco mil dólares, cheguei e dei pro meu pai e minha mãe. Primeira comissão de tênis que eu tive da éS, peguei o cheque inteiro e dei pra minha mãe. Falei pra ela comprar a casa que queria no Rio de Janeiro. Acho que desde moleque, ter que trampar pra ter meu dinheiro e ter minhas coisas e quando eu comecei a ganhar dinheiro de verdade, eu não mudei, continuei pensando do mesmo jeito. Lógico que eu gastava, fazendo muita merda, gastava muito com balada. Hoje em dia eu quase não saio. Desde janeiro eu tô no Brasil e não coloquei o pé numa balada. Nenhuma! E é o lugar que eu saia. EUA eu não saia. É mais nisso que eu gastava. E sempre que alguém passava necessidade eu fortalecia do meu jeito.
Tem uma viagem também, é que eu nunca fui interessado na fama. Meu interesse foi mais em saúde pra andar de skate e no reconhecimento do que estou fazendo. Esse era o meu maior interesse. E um correntão de ouro, um carrão, casona, isso aí não ia me agregar em nada. De repente, se você estiver buscando a fama sim. Porque você vai querer ter o carrão pra postar. Eu nunca postei nada da minha casa, nada pessoal. Se marcar, uma foto do meu carro do Brasil na vida, no Facebook há oito anos atrás. Porque isso? Porque eu sempre quis ser uma pessoa normal também. Pô, cresci no centro, na Bela Vista, tinha amigos de várias classes sociais. Então eu sempre quis ser mais uma pessoa normal, chegar no Brasil e poder ir a pé, sozinho onde eu quisesse. Ir numa balada, ir numa quebrada, ir num jogo. Ir independente. Acho que essa mentalidade de querer ser uma pessoa normal, e de me sentir mal também. Várias vezes, hoje me dia menos, porque eu tô mais no Brasil, tento falar com todo mundo, cumprimentar todo mundo. Mas várias vezes, entrar num lugar e sentir que tem dez pessoas te olhando. Isso é porque você também coloca nessa posição de rockstar, de popstar. Só que você consegue ser quem você realmente é, que na verdade é tudo farinha do mesmo saco, você consegue quebrar mais esse clima. E foi aí que eu sempre tentei me manter. E eu sou meio assim, tudo que eu gosto, eu realmente gosto e sou leal àquilo. Mas se eu não concordar, porque está mudando aquele estilo, está mudando aquele grupo, está mudando o estilo da música, se eu não concordar deixo um pouco de lado. Mas esse fato de sempre ter esse gosto forte das coisas que eu gosto sempre manteve essa pessoa. Por mais que eu cresci, evolui, fiz um monte de merda também. Graças a Deus e as pessoas em volta de mim também eu conseguia ver me aconselhando e mostrando e conseguir também evoluir. Mas mesmo assim, eu acho que sou muito o mesmo de dez anos atrás.

Carro é mais pra se locomover.
Porque eu preciso de carro? Vou ser sincero. Pra andar de skate. Os moleques colam na praça, entram no carro e vamos pro rolê. Mas na verdade, tô descobrindo esse ano que o busão funciona bem melhor que o carro. Eu dei vários rolês de busão. Se tem corredor, vai de boa.

Já aconteceu de você estar num ônibus e algum moleque te reconhecer?
Já. Não falam nada. Os moleques olham e me cumprimentam. Esse ano umas três vezes. Eu me fecho um pouquinho e os moleques também respeitam.

E sobre a Sigilo?
Eu lancei essa marca em agosto de 2015, é bem pequena ainda, estamos fazendo de uma forma pra eu não me perder também. Pra não colocar na mão de alguém e eu não saber o que está acontecendo. Montei um time, lancei uns produtos. É só acessórios mesmo, lixa, parafusos, ferramentas. Vão entrar alguns artigos a mais e umas roupas básicas, camisetas, bonés, moletom. Montamos um time, começamos a vender só na loja (da Sigilo na Galeria) e agora num futuro breve eu tô negociando pra ter distribuição. Tô aprendendo muitas coisas, desenvolver produtos. Eu que boto a mão na massa mesmo, todas as minhas ideias. Eu contrato uma pessoa, tudo freelancer também. Aprendendo com produção, como posicionar ela no mercado também, porque em breve vai expandir. E fazendo tudo muito sozinho também. E tá num momento legal porque é pequeno ainda. O time é pequeno. É eu, (Paulo) Piquet, Vinicinhos (Santos), (Fernando) Java. A gente é bem próximo, estamos sempre pelo centro. Andamos de skate parecidos. Eu sinto que tem um amor legal pela Sigilo, de coração mesmo. Até porque a marca é pequena. Tem meus amigos gringos também que acreditam em mim, acreditam no que eu faço. Tem o Javier (Sarmiento), o Marquise (Henry), o Miles. Eles não são exatamente do time, mas eles são Propriedade de Sigilo.
Tá num momento legal, de gente que acredita, o time.




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Sobre Sidney Arakaki

Skatista profissional e blogueiro
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