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O Segredo Urbano do fotógrafo alemão Helge Tscharn

Publicado Em: 25/03/2014 19:02


Capa do livro URBAN SECRETS, de Helge Tscharn

Capa do livro URBAN SECRETS, de Helge Tscharn

Em abril de 2010 fiz uma entrevista com o fotógrafo alemão Helge Tscharn para a ESPN. Ele estava lançando o “Urban Secrets”, um livro com fotos fantásticas. Essa semana eu estava aqui vendo meu exemplar e resolvi republicar aqui no Skataholic, porque é uma das entrevistas que mais gostei de ter feito. Na época ele ainda não falava em português e trocamos e-mails em inglês mesmo. Por incrível que pareça, ainda não tive a oportunidade de conversar com ele pessoalmente.

Helge Tscharn (Arquivo pessoal)

Helge Tscharn (Arquivo pessoal)

O alemão Helge Tscharn é um dos principais fotógrafos de skate da cena européia. Por 25 anos foi editor de fotografia da revista Monster Magazine. Mas ele faz colaborações para diversas publicações de skate, moda e cultura em geral. Entre elas, a Tribo Skate, Thrasher, Skateboarder, Transworld Skateboarding, Rolling Stones, etc.

Tscharn acaba de lançar o livro “Urban Secrets”. Uma compilação de fotos de skate com a arquitetura urbana como cenário. Mesmo não tendo, basicamente, manobras de impacto, as fotos chamam atenção pela percepção e originalidade dos enquadramentos. As composições destacam a rica arquitetura européia, e o skate é um elemento que combina perfeitamente com o contexto.

“Nossa experiência do espaço urbano depende também do nosso meio de transporte. Num carro, usamos as ruas de acordo com algumas regras, diferente de andar à pé. Mas no geral, nenhum veículo é tão intenso como o skate. Andando pelas ruas, se transforma numa experiência de corpo inteiro”, diz Helge na introdução do livro, que pode ser encomendado
pelo email helgetscharn@web.de (atualizado: o livro se esgotou logo após a entrevista ser publicada). Confira o imperdível site oficial do Helge: http://helgetscharn.com/

Porque você escolheu morar em Florianópolis?
Eu conheci minha esposa na Alemanha, mas ela é nativa de Florianópolis. Sua família mora aqui, então a decisão pra se mudar pra cá foi muito fácil.

Você tem planos de lançar um livro de skate inspirado na cena brasileira?
Sim, tenho. Mas, principalmente para a cena européia, porque na Europa não sabem muito sobre a cultura do skate no Brasil. Eles acham que aqui só tem skatistas focados em competições. Mas isso não é verdade. Na minha opinião, a cena brasileira tem muito mais à oferecer do que a européia.

Você está achando picos secretos em Floripa?
Eu não fotografo muito nas ruas de Florianópolis, ainda. Então realmente não sei. Estou sempre vendo picos interessantes, mas não sei se são secretos. Meu trabalho principal continua sendo na Europa. Eu volto pra lá a cada quatro ou cinco meses para fotografar turnês, trabalhos para viver.

Quais suas cidades favoritas para fotografar skate?
Dubai, Barcelona, Atenas, Berlin e Hong Kong.

Quantos “Urban Secrets” foram impressos?
Imprimimos 750 cópias.

É muito barato R$ 30. Parece de graça. Teve ajuda de patrocinadores?
Tenho um patrocinador. O livro foi patrocinador pela “Family Agency Distribution”. São grandes amigos meus. A gráfica ficou muito empolgada com meu pequeno projeto, então foram impressas algumas centenas apenas para marketing. Então eles nos deram um grande desconto. No final, ficou bastante acessível. Eu não quero ganhar dinheiro com esse projeto. Quero espalhar o máximo que puder. É uma espécie de trabalho sem fins lucrativos. O problema agora é que, acabaram as cópias aqui no Brasil. Só trouxe 100, que se esgotaram em quatro dias. Agora preciso trazer mais na próxima vez que for à Alemanha. Todos que quiserem o livro aqui no Brasil terão um, mas terão que esperar um pouco. É ruim, mas trarei mais.

Você conseguiu mostrar um diferencial com fotos de filmes nos dias em que digitais estão populares. Você faz fotos digitais?
É claro que eu uso câmeras digitais. Análogo é muito caro e a maioria das revistas não querem algo assim. E ainda é mais barato, rápido e fácil, claro. O livro é todo fotografado com filme. Principalmente na Hasselblad médio formato e com minha Nikon FM2.

A molecada está comprando máquinas digitais e fotografando para se tornarem profissionais, como acontece no skate. Eles acham que com um bom equipamento as revistas irão comprar suas fotos. O que você acha?
Não sei se é tão fácil, porque eu acho que sem habilidade você não faz uma boa foto. Mesmo se você tentar. Com certeza ficou mais fácil hoje com a loucura digital do que com as análogas. Lá você continua entendendo a combinação de tipos de filmes, abertura, velocidade, flashes, etc. Mas o mundo está ficando desse jeito agora. Todos estão se esforçando na digital. Vamos esperar e ver o que acontece.

Oliver Kahl, frontside ollie em Düsseldorf, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

Oliver Kahl, frontside ollie em Düsseldorf, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

Suas fotos parecem ter sido fotografadas dentro de estúdios de Hollywood. Que lugar é esse do Oliver Kahl em Düsseldorf?
Esse lugar é chamado “Medienhafen” e é localizado em Düsseldorf. O designer-arquiteto do prédio é Frank O. Gehry. Sempre amei seu trabalho, então escolhi esse lugar pra fotografar.

Stefan Lehnert, noseslide no aeroporto de München, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

Stefan Lehnert, noseslide no aeroporto de München, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

Como foi a sessão do aeroporto de München?
Eu tinha essa ideia de fotografar com aviões de fundo, então comecei a procurar companhias aéreas pra me ajudar no projeto. Levou um mês organizando com a empresa e finalmente rolou. Eles me deram 150 metros quadrados e o avião. Me ofereceram duas horas pra fazer o que quisesse, mas eu não podia tocar no avião. Tinham quatro caras tomando conta de tudo. Eles me deram um guindaste pra fotografar de cima. Se eu quisesse mudar a posição do avião por causa do sol, eles viravam do jeito que eu quisesse. Foi incrível. Nós fizemos uma grande história pra revista “Monster Skateboard” na época. Foi um dos momentos mais emocionante da minha carreira.

As locações que você fez as fotos não tinha ninguém de fundo. Qual a dificuldade disso?
A ideia do livro foi se concentrar na arquitetura e no skatista, então eu sempre tentei fotografar sem ninguém de fundo, que nem sempre é possível, então a única possibilidade foi fotografar aos domingos, tarde da noite ou muito cedo. Algumas vezes 6h, horário não muito bom para um skatista.

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Oliver Tielsch, noseslide em Hanover, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

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Brian Brown (foto: Helge Tscharn)

Holger von Krosigk, frontside 50-50 em Frankfurt, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

Holger von Krosigk, frontside 50-50 em Frankfurt, Alemanha (foto: Helge Tscharn)

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Sobre Sidney Arakaki

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