sábado , 24 junho 2017

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Re:Board – Um resgate histórico da Skate Arte brasileira

Alexandre Sesper produz exposição e documentário Re:Board.

Publicado Em: 05/08/2009 23:45


No final da década de 80, as marcas de skate brasileiras copiavam praticamente tudo o que era lançado nos EUA. Desde desenhos, até formato dos produtos. Foi a famosa Era da Pirataria.

Além de imitar, ainda não tinham qualidade. Atrapalhavam o nível do skate e envergonhavam os skatistas brasileiros.

Algumas empresas se sobressaiam. Tinham como base as americanas, mas desenvolviam produtos com tecnologia e matérias-primas disponíveis por aqui. Tudo endossado pelos skatistas patrocinados: nossos ídolos.

E a maioria dessas marcas são lembradas até hoje com muito orgulho por todos que vivenciaram a época. Muitos nem andam mais de skate, mas criaram laços afetivos intensos. Principalmente com a identidade visual das marcas e desenhos dos shapes.

Os principais e mais memoráveis, foram feitos por um só cara: Billy Argel, do estúdio Highgraphic. Foi ele quem criou nossos sonhos de consumo. Queríamos ter os (shapes) Lifestyle e Urgh! Models do Rui Muleque, Léo Kakinho, Alexandre Ribeiro, Thronn, Daniel Bourqui, Fernandinho Batman…

É incrível como os trabalhos do Billy feitos na década de 80 continuam atuais. E desenvolvidos numa fase onde quase tudo era copiado e não devia ter referências acessíveis. Originalidade pura.

Hoje os shapes não são mais sonhos de consumo. São peças pechinchadas e comercializadas como Dogão de esquina. Vende o mais barato.

O que seria do skate brasileiro atualmente se não fossem os models do Billy? Arrisco dizer que o skate brasileiro talvez nem existisse mais. Quem continuaria motivado à pedir um skate novo no aniversário ou no natal e só ter opções de desenhos tão toscos?

Méritos também das marcas que acreditaram nos trabalhos do Billy Argel na época e deixaram nas mãos dele a liberdade pra criar. Algumas que eu saiba e lembre: Urgh!, Lifestyle, Narina, Caos.

Billy deixou um legado. Nossos ídolos foram perpetuados através dele.

O artista é um dos principais protagonistas do documentário “Re:board – Brasil Skate Art and Deck Research“, lançado há algumas semanas em São Paulo. Ele está sendo exibido na Galeria Matilha, onde também rola uma exposição com desenhos de shapes brasileiros, divididos em décadas, todos organizados: 70, 80, 90, até os dias atuais.

E claro que o espaço do Billy é o grande destaque. Não só as madeiras originais estão lá, mas também fotolitos e rascunhos.

Re:board é uma produção do skatista e multi-artista Alexandre Sesper, também conhecido como Farofa (da banda Garage Fuzz). O documentário tem entrevistas com vários empresários, artistas e skatistas que construíram a cena brasileira do skate. Além do Billy, tem o Speto, Binho, Thronn, Jorge Kuge, Lecuk, Nilton Urina e vários personagens importantes.

“O que nos motiva a começar algo de novo? O que nos faz lembrar de um shape que tivemos a tanto tempo atrás? Porque esse nosso relacionamento dura tanto tempo? O que é importante nisso tudo? A madeira que não esquecemos, nós a quebramos a mais de 20 anos”, questiona Farofa no início do Re:board e ao longo dos 75 minutos, quem viveu o momento vai ter um flashback interminável. Essa experiência é imperdível. É a oportunidade pra quem não teve o prazer de andar nos anos 80 conhecer a história.

RE:BOARD
Até o dia 28 de agosto
Matilha Cultural

Rua Rêgo Freitas, 542
11-3256-2636
www.matilhacultural.com.br
Entrada gratuíta

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Sobre Sidney Arakaki

Skatista profissional e blogueiro
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